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Revista Científica da Ordem dos Médicos
A dissecção aórtica é rara e mais comum em homens. Em mulheres é mais frequente na gravidez, especialmente no terceiro trimestre. Apresentamos o caso de uma grávida de 30 anos, com 29 semanas de gestação aquando do diagnóstico de uma disseção aórtica tipo B. Perante o diagnóstico, iniciou-se maturação fetal e a paciente foi transferida para um centro terciário. Face à hipertensão de difícil controlo e dor persistente, após avaliação do risco-benefício materno e fetal, foi realizada uma cesariana às 29 semanas e seis dias. No pós-operatório, foi necessário um regime terapêutico com múltiplos fármacos para controlo da tensão arterial, mas a paciente recuperou favoravelmente e teve alta. Testes genéticos, motivados pela história familiar de morte súbita (irmão) e dissecção aórtica (pai), revelaram uma mutação no gene FBN1, confirmando síndrome de Marfan. Este caso destaca a importância da história clínica, os desafios da dissecção aórtica na gravidez e a necessidade de uma abordagem multidisciplinar nestes casos.